VÍDEOS





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Lição de casa na escola e aula expositiva em casa?


07/02/2017

Ninguém mais nega que o papel do educador está mudando em função do uso da tecnologia entre os estudantes. A pergunta é: fazer o que? Sala de aula invertida ou flipped classroom é uma boa possibilidade para incluir a tecnologia no processo educativo, como estímulo à aprendizagem colaborativa e apoio na relação entre educadores e estudantes.

O professor deixa de ter como principal função, transmitir informações sobre o conhecimento, e passa a atuar como um orientador dos estudantes. A ideia é inverter a ordem da aprendizagem tradicional. É como se os estudantes assistissem às aulas expositivas em casa e fizessem a lição de casa em sala de aula.

Basicamente, os estudantes assistem às aulas expositivas em casa e acessam outros ambientes virtuais para coletar informações. Isso permite que cada um faça isso no seu próprio ritmo, pausando e retomando o acesso aos conteúdos quantas vezes for necessário para a compreensão ou identificação de dúvidas.

Os professores de química Jonathan Bergmann e Aaron Sams colocaram essa metodologia em prática nas salas de aula da Woodland Park High School, em Woodland Park, Colorado (Estados Unidos), porque se deram conta que o momento em que os estudantes mais precisavam deles era ao fazer as tarefas, quando as dificuldades e desafios surgiam, e não na aula expositiva

Em 2012, lançaram um livro (já traduzido para o português) relatando como aplicar essa metodologia e apontando os princjpais diferenciais:

  • A inversão fala a linguagem dos estudantes de hoje, usuários de diversos recursos digitais.
  • Ajuda os estudantes que faltam às aulas, que moram longe, que estão sobrecarregados.
  • Ajuda os que têm dificuldade de aprendizado: eles podem retomar o acesso aos conteúdos inúmeras vezes, o que não é possível em uma aula tradicional, e ganham mais atenção do professor durante as tarefas em sala.
  • Aumenta a interação do professor com os estudantes durante a execução das atividades na sala de aula.
  • Transforma o gerenciamento da sala de aula, acabando com problemas com estudantes que atrapalham os colegas, muitas vezes por não conseguirem acompanhar a explicação dos conteúdos.
  • Permite que os pais participem mais e aprendam junto com seus filhos em casa.
  • Os estudantes progridem dentro do seu próprio ritmo.

Este modelo de ensino propõe inverter o ensino tradicional. Os estudantes estudam a parte teórica em casa através de vídeos, apresentações, recursos tecnológicos, etc. Na sala de aula levantam dúvidas, reproduzem o conhecimento em trabalhos individuais e também de forma colaborativa.

A preparação da aula passa a incluir a criação de videoaulas, fóruns, questionários interativos, apresentações, etc.  As atividades incluem tarefas para acompanhar o progresso dos estudantes, desenvolvimento de trabalhos em grupo, ferramentas para comunicação, e divulgação do que se aprendeu. E tudo isso passa a compor um novo formato de avaliação.

Essa metodologia orienta as atividades do Programa MindEduca, estimulando a aprendizagem colaborativa, e vem sendo aplicada com sucesso em diferentes países. O site AulaPlaneta publicou um infográfico com 40 ferramentas, possibilidades e recursos sugeridos para os professores na Espanha.

Vamos incluir essa mudança nas salas de aula do Brasil?

Bom trabalho.

Regina Migliori



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