
O mercado corporativo vive um momento de obsessão pela experiência do cliente, mas, ironicamente, nunca se entendeu tão pouco sobre o que os designers realmente fazem. Muitas vezes, gestores e donos de empresas enxergam o Ux Ui design como uma espécie de varinha mágica que resolve problemas de produto através de cores vibrantes e botões arredondados. No entanto, essa visão superficial é exatamente o que impede que o design entregue valor real ao faturamento.
Existe uma diferença abismal entre criar algo que “parece bom” e algo que “funciona com eficiência”. Quando uma empresa baseia sua estratégia em mitos e conceitos datados, ela acaba criando barreiras invisíveis para o seu próprio usuário. Consequentemente, o investimento em tecnologia se transforma em prejuízo, visto que o produto final não consegue converter ou reter clientes.
Neste artigo, vamos derrubar as paredes desses preconceitos. Vamos analisar por que a estética é apenas uma fração do trabalho e como o foco excessivo em tendências visuais pode destruir a usabilidade. O objetivo é alinhar a sua percepção com o que o mercado de alta performance pratica, tratando o design como uma disciplina de negócios e dados, e não como uma oficina de arte digital.
1. O designer é o único responsável pela experiência
Em primeiro lugar, é preciso desconstruir a ideia de que a experiência do usuário começa e termina na mesa do designer. Na verdade, Ux é um esporte de equipe. Se o código do site é lento, se o suporte ao cliente é ineficiente ou se a logística de entrega falha, a experiência do usuário será ruim, independentemente de quão bonita seja a interface criada pelo Ux Ui design.
Dessa maneira, a responsabilidade deve ser compartilhada por toda a organização. O designer atua como um facilitador que organiza as necessidades do negócio e do usuário, mas ele não tem controle sobre a performance do servidor ou sobre a clareza das políticas de reembolso. Por esse motivo, o design não deve trabalhar em um silo isolado do resto da empresa.
Ademais, quando o time de desenvolvimento e o time de marketing não participam do processo, o resultado costuma ser um produto desconexo. A colaboração multidisciplinar garante que as limitações técnicas e os objetivos comerciais sejam respeitados desde o início. Portanto, a experiência é o somatório de todos os pontos de contato da marca, e não apenas o desenho da tela.
2. O Ux Design é uma etapa que pode ser “finalizada”
Posteriormente, entramos no equívoco de que o design é um entregável estático. Muitos empresários acreditam que, após o lançamento do aplicativo ou do site, o trabalho de Ux Ui design está concluído. Todavia, a verdade é que o comportamento humano é volátil e o contexto do mercado muda semanalmente. O que funcionou ontem pode ser uma barreira de conversão amanhã.
O design de experiência é, por definição, um processo iterativo de aprendizado contínuo. Se você não monitora como os usuários interagem com o produto após o lançamento, você está operando às cegas. Com efeito, o lançamento é apenas o ponto de partida para a coleta de dados reais que servirão de base para as próximas melhorias.
Dessa forma, tratar o design como um projeto com data para acabar é o caminho mais rápido para a obsolescência. As empresas que dominam seus nichos tratam o Ux como um ciclo constante de teste e otimização. Ao manter o design vivo, você consegue se adaptar às novas demandas dos clientes antes que a concorrência o faça, garantindo uma vantagem competitiva sustentável.
3. Mais escolhas significam usuários mais felizes
Por outro lado, existe uma crença perigosa de que oferecer uma infinidade de opções e funcionalidades torna o produto mais valioso. Na prática, o cérebro humano lida muito mal com o excesso de estímulos. No Ux Ui design, existe um conceito chamado Lei de Hick, que afirma que o tempo necessário para tomar uma decisão aumenta conforme o número e a complexidade das escolhas aumentam.
Quando você bombardeia o seu cliente com botões, menus e recursos desnecessários, você gera ansiedade e paralisia. Consequentemente, a taxa de abandono do carrinho ou da página aumenta drasticamente. O design inteligente não é sobre o que você pode adicionar, mas sobre o que você pode remover para tornar a jornada o mais clara e direta possível.
Sendo assim, o papel do designer é curar a experiência. Ele deve atuar como um filtro que remove o ruído e destaca o sinal. Ao simplificar a interface, você reduz a carga cognitiva do usuário, permitindo que ele atinja o objetivo com o mínimo de esforço. A simplicidade é, ironicamente, uma das coisas mais difíceis de se projetar com eficiência.
4. Ux e Ui são exatamente a mesma coisa
Muitas vezes, esses termos são usados como sinônimos em anúncios de emprego e reuniões de diretoria. No entanto, embora andem de mãos dadas, eles desempenham papéis muito distintos. O Ux (User Experience) foca na lógica, na estratégia, na pesquisa e na arquitetura da informação. Já o Ui (User Interface) foca na parte visual, nas cores, na tipografia e nos elementos interativos.
Um profissional pode ser excelente em criar interfaces deslumbrantes, mas se a lógica de navegação for confusa, o Ux Ui design terá falhado em sua missão principal. Por outro lado, um sistema pode ser extremamente funcional, mas tão visualmente pobre que não gera confiança no consumidor. O equilíbrio entre as duas frentes é o que define um produto de sucesso.
Portanto, ao contratar ou gerenciar um projeto, é fundamental entender em qual pilar o problema reside. Às vezes, o seu site não converte porque as cores não geram contraste (problema de Ui). Em outras vezes, o problema é que o processo de checkout tem etapas demais (problema de Ux). Identificar essa distinção economiza tempo e foca os esforços de correção no lugar certo.
5. O design é apenas uma despesa estética
Ainda existe o mito de que investir em design é um “gasto extra” que pode ser cortado em momentos de crise. Essa é uma visão míope que ignora o impacto direto do Ux Ui design no retorno sobre o investimento. Estudos mostram que cada dólar investido em experiência do usuário pode retornar até cem dólares em lucros e economias operacionais.
O custo de desenvolver um software errado é imenso. Se você pula a fase de pesquisa e prototipagem, o seu time de engenharia passará meses construindo algo que os clientes não entendem ou não querem usar. O design atua como um seguro contra o erro. Validar uma ideia em um protótipo de baixa fidelidade custa uma fração do que custaria refazer o código inteiro.
Além disso, um bom design reduz drasticamente os custos de suporte. Se a interface é intuitiva, o usuário não precisa abrir tickets ou ligar para o SAC para tirar dúvidas básicas de uso. Consequentemente, a eficiência operacional da empresa aumenta. O design não é um luxo; é uma ferramenta de redução de custos e aceleração de receita.
6. Você precisa de usuários reais para validar tudo
Embora o teste com usuários seja o padrão ouro, existe o mito de que o Ux Ui design fica travado se você não tiver acesso a centenas de pessoas para entrevistar. Na realidade, existem técnicas de análise heurística e revisões de especialistas que podem identificar 80% dos problemas de usabilidade antes mesmo de qualquer teste externo ser realizado.
Muitas empresas usam a falta de orçamento para pesquisa como desculpa para não fazer design nenhum. Entretanto, realizar testes com apenas cinco usuários já é suficiente para revelar os principais gargalos de navegação. A perfeição não deve ser inimiga do progresso. É preferível ter dados de cinco pessoas do que tomar decisões baseadas apenas na opinião do dono da empresa.
Dessa forma, a pesquisa deve ser escalonada conforme o tamanho do projeto. O importante é manter a mentalidade de validação. No Ux Ui design, a pior coisa que você pode fazer é assumir que você sabe o que o cliente pensa. A humildade técnica de testar suas próprias ideias é o que diferencia os grandes produtos dos fracassos retumbantes.
7. Seguir tendências é a chave do sucesso
Finalmente, precisamos falar sobre o perigo de seguir cegamente as tendências visuais do momento. Só porque todas as grandes empresas de tecnologia estão usando determinado estilo de ilustração ou modo escuro, não significa que isso faça sentido para o seu público específico. O design que funciona para uma rede social de jovens pode ser um desastre para um software de gestão hospitalar.
A tendência costuma focar no Ui, mas o Ux deve focar no contexto. Copiar interfaces de gigantes como o Airbnb ou a Apple pode criar um produto sem identidade e, pior, desajustado para a necessidade real do seu usuário. O bom design nasce da compreensão do problema, e não da reprodução de pastas de inspiração no Pinterest.
Em suma, o design deve ser atemporal e funcional. Tendências vêm e vão, mas a facilidade de uso e a clareza de propósito nunca saem de moda. Ao priorizar o que o seu usuário realmente precisa em vez do que é “cool” no momento, você constrói uma marca sólida e uma interface que resiste ao tempo sem precisar de redesenhos constantes e caros.
A maturidade necessária para o design
Em conclusão, derrubar esses mitos é essencial para qualquer empresa que deseje levar a sério a sua presença digital. O Ux Ui design não é um acessório de luxo, mas o alicerce sobre o qual a confiança do cliente é construída. Quando você remove os preconceitos e trata a disciplina com o rigor técnico que ela exige, os resultados financeiros aparecem de forma natural.
Lembre-se de que o usuário não se importa com a tecnologia que você usa ou com as horas de trabalho do seu designer; ele se importa apenas se o seu produto resolve o problema dele com agilidade e sem irritações. O foco deve ser sempre a remoção de barreiras. Quanto mais fluida for a experiência, mais invisível o design se torna, e é exatamente aí que ele atinge sua excelência máxima.
Portanto, desafie o “sempre foi feito assim” e comece a olhar para o design como um braço estratégico da sua gestão. O sucesso de um produto digital é medido pela satisfação de quem o usa, e não pela quantidade de recursos que ele possui. Valorize o processo, invista na pesquisa e entenda que o design é a alma do negócio na economia moderna.





