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MÍDIA

Uma educação para o presente


07/07/2015

Com o intuito de apresentar um programa que questiona e modifica o modelo formal de educação, Regina Migliori, fundadora e diretora do Instituto Migliori1, palestrou sobre a inserção de técnicas como a meditação e tai chi chuan na rotina escolar durante o 4º Simpósio de Práticas Contemplativas e Medicinas Tracionais, promovido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com a Associação Palas Athena.

Migliori comenta que é normal as crianças serem pressionadas com a pergunta: “O que você quer ser quando crescer?”. Professor, veterinário, astronauta estão entre as repostas mais frequentes. Sonhar faz bem. Mas a preocupação excessiva com o que cada um irá ser, diz ela, faz com que o jovem se esqueça de que ele já é alguém nesse exato momento e que é importante reconhecer-se no tempo presente.

 “O processo educativo viciou-se em um posicionamento no qual o desenvolvimento humano resulta em algo que vai acontecer a longo prazo e com isso se negligencia da circunstância de vida presente”, afirma Migliori. “A vida é agora, ela acontece nesse momento. É nele que os seres humanos precisam se perceber felizes, competentes e inteligentes.”

O Instituto Migliori propõe que uma das maneiras de promover o desenvolvimento humano de modo mais completo é através da inserção de técnicas milenares na rotina escolar. A pedagoga ressalta que, apesar da educação formal priorizar os conteúdos compreendidos na estrutura curricular, também é função do processo educacional desenvolver nossa competência amorosa, nossa capacidade de sermos compassivos, de minimizarmos o sofrimento e produzirmos felicidade.

O programa proposto pelo instituto prevê etapas para que as escolas se adaptem aos novos hábitos. As fases vão desde formar instrutores para as atividades até o envolvimento da família e da comunidade com o processo. “O programa que vem sendo implantado nas escolas integra práticas contemplativas, neurociência e educação com foco em valores”, explica Migliori.

É preciso tomar cuidado para que essas novas atividades não sejam inseridas apenas como mais uma disciplina no ambiente escolar. “Isso não pode ficar simplesmente como uma pauta de conteúdo a ser trabalhada e sim ser visto como um objetivo de educação e uma meta do desenvolvimento humano”, sentencia.




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