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Matar e morrer por um celular: você faria isso?


05/06/2018

 

“Se matar para roubar um celular está errado, e matar para recuperá-lo está certo, então o que está proibido não é matar, e sim violar a propriedade privada. O sagrado não é a vida, e sim a propriedade”. Essa afirmação do economista Ricardo Aronskind pode parecer estranha, mas não se trata de defender o ladrão, e sim a necessidade de rever os valores que conduzem a sociedade. Porém, faço uma pequena alteração na sua afirmação: o problema não está na propriedade, e sim no apego que se tem a ela.

Tornar-se consciente do que move tanto o ladrão como o dono do celular: este é um piloto automático do qual temos que nos livrar. Um automatismo sem lucidez, onde a pessoa não se ocupa de identificar as raízes das suas ações, e chega ao ponto de arriscar a vida por um celular.

Meditar, cultivar virtudes, praticar empatia, compaixão, e tudo o que hoje vem sendo difundido com ênfase, pode se tornar uma panaceia pessoal bem intencionada, sem nenhum impacto benéfico, caso não se transformem as atitudes, como deixar de seguir atracado a um celular (o seu ou o dos outros) ou a qualquer outra coisa, a ponto de arriscar vidas.

Esta é uma boa prática para quem busca equilíbrio pessoal: a contemplação do celular!

Não se trata de ser apegado ao celular, e sim do apego à ideia de possuí-lo. O dono do celular o protege. O ladrão o deseja. Ambos querem ter o celular, e em um instante, colocam a vida em risco, a serviço dessa posse. Ambos são movidos pelo mesmo padrão de apego. Desse encontro de distorções mentais, resultantes do apego incondicional, surge um ato de violência, que se constitui de um lado em roubar o celular, e de outro, em defender sua propriedade.

A questão não é ideológica, nem sobre o direito de propriedade, o sistema econômico, a legislação penal ou a segurança pública. É algo anterior. É conseguir acessar a causa que dá origem a essas questões, que provoca essa atitude de ataque e defesa em relação ao desejo e à posse de um bem. Esse apego é um veneno mental, um veneno social, um veneno mortal, que interrompe vidas, que mata sem discriminação.

É o que está na base da corrupção dos que acumulam dinheiro ilícito, dos que roubam o que pertence aos outros, e dos que defendem a qualquer custo, aquilo que não querem perder.

É um veneno que passa a mover a mente, os pensamentos, as decisões, relações e ações.

Livrar-se do veneno do apego, não significa abrir mão das coisas, nem deixar de querer obtê-las. Isso é fácil. Difícil é desgrudar do sentimento de posse, do desejo incontrolável de obter o que se quer ou de defender o que se tem, às custas até da própria vida.

Esta semente de violência não está nas coisas, na propriedade, no sistema, nas leis, no governo, ou em qualquer outro lugar. Sua fonte é a falta de lucidez das pessoas, de mergulhar em si mesmo e se perguntar: que sentido faz matar e morrer por um celular?

Regina Migliori




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