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Um mito pra chamar de meu


08/03/2015

Regina Migliori

Em tempos de democracia e liberdade, cada um é livre para acreditar no que quiser. Será que é mesmo assim?

Na década de 50, as mulheres acreditavam que sua felicidade estava atrelada a certos valores sociais, que cerceavam sua vida profissional, lhe impeliam para os afazeres domésticos e a vida familiar. Trabalhar fora era só para quem precisava, quase um castigo ou um demérito. Era motivo de orgulho pessoal ter ao seu lado um marido provedor em grande estilo. A vida afetiva, então nem se fala. Era restrita a um único relacionamento. E era fortíssimo o preconceito em relação às desquitadas, ou às meninas que ousavam experimentar mais de um namorado - ficavam “faladas”!

O cenário de separação do clube do Bolinha se refletia desde a organização na hora de sentar no carro – homens na frente e mulheres atrás – até o papo nas festinhas familiares e eventos sociais, onde mulheres não participavam da conversa dos homens e vice-versa. 

A reação chegou com força de revolução. Reivindicou-se o direito das mulheres se libertarem dos estereótipos pré-concebidos, que lhe impunham estritos modelos sociais e pessoais. Acreditava-se que a derrubada destes preconceitos faria emergir uma vida livre e mais feliz.

Depois de muito ativismo, as mulheres conquistaram espaço além das fronteiras do lar. Conquistaram também a possibilidade de viver quantos relacionamentos afetivos quiserem. Estudam e trabalham. Podem frequentar qualquer espaço. As estatísticas mostram o que aconteceu em poucas décadas – são maioria nas universidades, no empreendedorismo, pra não falar de outros cenários.

Mas parece que surgiu outro mito aprisionador: o da autonomia solitária.

Se você não beijar muito sem se comprometer, não trabalhar muito e ser bem sucedida, não sustentar os filhos sem a ajuda de um marido, não conquistar tudo e todos sozinha, então você ainda não se sente uma mulher moderna, contemporânea, livre e autônoma. Este sentimento faz sua autoestima despencar. Coitada da menina que expressar o desejo de “só” casar e ter filhos. Vira motivo de chacota entre os amigos, quando não dos próprios pais.

As mulheres olharam para o mundo externo, viram muita coisa opressora, e realizaram importantes conquistas nas últimas décadas. Mas cuidado com a prática dos direitos adquiridos neste novo cenário. Como o nome já diz, são direitos e não obrigações.

O que incomodava e oprimia, há algumas décadas, era a obrigação de viver de uma determinada maneira. Sem lucidez, os direitos adquiridos podem se transformar em novo mito aprisionador. Tudo que pré-determina a sua vida tem que ser visto com reservas, e decidido com muita lucidez.

Talvez, depois de ter conquistado um novo cenário externo, com direitos e liberdade de escolha, as mulheres estejam diante do desafio de olharem pra si mesmas e desvelarem seu mundo interno. Aproveitar este tempo de liberdade para descobrir as verdadeiras aspirações pessoais, e se perguntar o que querem da vida. Não existe felicidade prêt-a-porter, fabricada de fora pra dentro.

Cuidado para no futuro, nossas netas não olharem pra nós como uma sociedade opressora das mulheres, que as obrigavam a incansavelmente atuar no mínimo em três turnos distintos – a profissional, a dona de casa e a amante. E sempre com a expectativa de desempenho excepcional.

Vale à pena incluir entre os direitos adquiridos, o de não desejar praticá-los, de ficar cansada, não querer fazer nada, nem mesmo cuidar do cabelo e das unhas, e não se sentir culpada por isso. 

 

publicado na Revista Plurale em 08/03/2015 - clique aqui para acessar 
 



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